Varizes: muito mais do que incômodo estético

Varizes: muito mais do que incômodo estético

O primeiro registro conhecido sobre varizes é uma estátua de mármore, esculpida cerca de quatro séculos antes de Cristo e encontrada em escavações próximas à cidade de Atenas, em um santuário que homenageia o herói Amynos. Trata-se de um homem segurando uma perna com veias dilatadas e tortuosas.

Após mais de dois milênios desde que a obra foi esculpida, as varizes continuam perturbando muita gente. Estatísticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) indicam que 38% dos adultos convivem com ela. No público feminino, o número é ainda maior: 45% apresentam a condição. Já entre as pessoas com idade a partir dos 70 anos, 70% têm algum grau de insuficiência venosa crônica (IVC).

O corpo humano tem dois tipos de vasos que transportam o sangue: as artérias, que levam o sangue cheio de oxigênio do coração para o restante do corpo, e as veias, que trazem o sangue com gás carbônico de volta para o pulmão e o coração.

As veias dos pés e das pernas precisam trabalhar contra a gravidade para fazer com que o sangue retorne ao coração, e é por isso que existem as válvulas. Essas estruturas funcionam quase como uma bomba-d’água, que empurra o sangue para cima e impede que ele volte. Em alguns casos, porém, as válvulas apresentam defeitos, fazendo com que o sangue retorne para baixo. O resultado disso é o acúmulo de sangue nas veias, que ficam dilatadas e tortas, formando as varizes.

Por se tratar de uma doença crônica e evolutiva, cerca de 3 a 11% das pessoas com varizes podem chegar a estágios mais avançados da doença, com danos irreversíveis na pele da região afetada que vão desde escurecimento, descamação e ressecamento até a abertura de feridas que podem demorar muito para cicatrizar.

Principais causas das varizes

Genética: ter um familiar de primeiro grau com varizes aumenta o risco de desenvolvê-las.

Hormônios: remédios que mexem com o sistema hormonal alteram a integridade dos tubos sanguíneos. É o caso dos anticoncepcionais, por exemplo.

Obesidade: os quilos extras acabam sobrecarregando e pressionando os vasos responsáveis por transportar o sangue pelas pernas.

Gestações: durante a gravidez, as alterações hormonais e a pressão do útero sobre as veias aumenta o risco do aparecimento de varizes.

Sedentarismo: a falta de atividade física favorece a sobrecarga do sistema venoso, tornando a circulação das pernas disfuncional.

Tabagismo: o papel do cigarro não está estabelecido na origem das varizes. Entretanto, são de conhecimento público suas graves implicações sobre o sistema circulatório. r

Longos períodos em pé: permanecer em pé durante um tempo prolongado está relacionado à maior incidência de varizes.

 

O Diagnóstico

 A constatação do problema se dá por meio de uma avaliação clínica minuciosa do histórico do paciente e de suas queixas, combinada com um exame físico. O método de testagem mais utilizado é o ecodoppler vascular, que permite avaliar a anatomia e a função dos vasos estudados, mapeando o acometimento das varizes, o refluxo e a presença de trombose.

 

Os tratamentos disponíveis

As intervenções para acabar com as varizes evoluíram muito e solucionam o problema na maioria das vezes. A primeira escolha tende a ser a cirurgia convencional, que consiste em pequenas incisões na pele, possibilitando a extração dos vasos problemáticos.

Para quem busca soluções menos invasivas, as técnicas de ablação por laser ou radiofrequência são uma boa opção. Neste método, a introdução de um cateter que gera um calor entre 120 e 400ºC destrói a veia doente.

Outra saída bastante popular é a escleroterapia, que envolve a aplicação de uma substância com aspecto de espuma diretamente nas regiões afetadas. Por meio de uma reação química, o vaso se inflama e se fecha, até desaparecer completamente. São necessárias de duas a cinco sessões para completar o tratamento, que é feito em ambulatório, sem necessidade de internação ou anestesia.

E os vasinhos?

Essas linhas arroxeadas parecidas com teias de aranha recebem o nome de telangiectasias. São veias menores, presentes na derme e na epiderme, que não estão relacionadas a desajustes de saúde, portanto o prejuízo é apenas estético. Para secá-las, injeções de glicose administradas por um especialista geralmente dão conta do recado.

A importância do diagnóstico precoce

Se diagnosticadas em fase inicial, as varizes podem ser tratadas para que não progridam ou apresentem sintomas.

A meia elástica é uma das alternativas. Seu uso contínuo reduz a dor e o inchaço. Ela está indicada tanto para casos recém-diagnosticados quanto para pessoas que já fizeram alguma intervenção. Isso porque, em cerca de 20% dos casos, a doença retorna em outros vasos dos membros inferiores nos três anos seguintes.

Existem ainda medicamentos flebotônicos que dão uma força extra ao sistema circulatório. Os mais famosos são de origem fitoterápica, como a castanha-da-índia e a hamamélis. Esses produtos aumentam o tônus dos tubos sanguíneos e têm propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

A atividade física também tem um papel importante nesse contexto. Movimentar e fortalecer a panturrilha e os demais músculos é essencial para melhorar o fluxo sanguíneo, sem contar o efeito do exercício na perda de peso.

Na visão mais atual sobre o manejo da doença venosa, as várias modalidades de tratamento são combinadas para a obtenção dos melhores resultados, tanto estéticos como para alívio dos sintomas.
Cada método tem suas vantagens e suas limitações. O único especialista que domina todas as técnicas e pode indicar o melhor tratamento é o cirurgião vascular. Se você tem qualquer grau de doença venosa, cuide-se!
A enfermidade é progressiva e, se nada for feito, provavelmente haverá agravamento do quadro. Procure um dos nossos especialistas para orientação, agende sua consulta:

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